Portador puro do elo da língua espiritual, descendente da quinta geração. O verdadeiro licor da organização, incumbido de eliminar os infiltrados. Primeiro e mais astuto conselheiro do jovem imperador
2007, verão das flores, Tóquio.
Ao meio-dia, o sol pairava alto, e a cidade de aço assemelhava-se a uma imensa estufa; a luz abrasadora derretia o capô dos automóveis—nesta estação, nem mesmo os durões dos filmes, com seus cigarros pendendo dos lábios, ousariam encostar-se ali.
O Corvo não era um desses durões, e estava plenamente satisfeito com sua condição de malandro; por isso, encontrava-se, como era de se esperar, sentado no interior do carro, desfrutando do ar-condicionado, enquanto seus olhos vagueavam indiscretamente pelas coxas das jovens do distrito de Shibuya.
Haviam pernas belas, outras nem tanto, mas a vitalidade da juventude sempre eclipsava tais imperfeições.
Um verdadeiro malandro não é exigente.
Um carro preto estacionou à beira da rua; o Corvo, ao notar, recolheu de imediato sua expressão lasciva e falou ao microfone auricular:
— Uesugi, o alvo chegou.
Um homem de meia-idade, magro, desceu do veículo, lançou olhares à esquerda e à direita, e dirigiu-se ao bar no lado da rua.
O Corvo acrescentou:
— Está sozinho.
— Entendido, eu já o vi — chegou a resposta pelo fone.
A comunicação finda, o Corvo voltou a procurar belas pernas com o olhar; embora fosse a primeira operação daquele sujeito, a palavra-espírito da presa estava perfeitamente neutralizada—não havia margem para erro.
No interior do bar, ainda vazio de foliões, restavam apenas alguns embriagados desmaiados junto às mesas. O homem de meia-idade observou por um momento o braço do barman sob o uniforme, aproximou-se de um dos bêb