Li Xiangqin viveu a vida inteira, teve vários filhos, e quando envelheceu e passou a precisar de cuidados, os filhos ficaram se empurrando uns aos outros e a mandaram para o asilo mais barato, onde el
— O que aconteceu com a paciente do leito quarenta e cinco, a Li Xiangqin? Já faz um mês que ela está em atraso. Contatem logo a família. Nosso asilo não é instituição de caridade; se não pagarem, é pôr a pessoa na rua.
— Estamos cobrando sem parar, mas os filhos da Li Xiangqin ou não atendem o telefone, ou ficam empurrando a responsabilidade uns para os outros. Ninguém quer pagar.
— Se não paga, é porque não quer ficar. Arrumem as coisas dela e deixem-na na porta do asilo. Avisem a família para vir buscá-la.
A diretora lançou um olhar para a idosa deitada na cama e deu o ultimato.
Li Xiangqin apertou o cobertor com as duas mãos, tomada pelo pânico, com os olhos cheios de terror. Num inverno desses, se a jogassem para fora, ela certamente morreria de frio.
Assim que se desesperou, o corpo deixou de obedecê-la e ela se urinou toda.
— Ah… sua velha morta, até no fim ainda vem dar trabalho. Já foi abandonada pelos filhos e ainda não morreu; teria sido melhor morrer logo para não incomodar.
A enfermeira resmungou e xingou sem parar; enquanto a arrumava, beliscava e apertava a velha, até ver as lágrimas escorrendo de tanta dor, só então pareceu aliviar a raiva. Depois a empurrou até o portão, fez uma última ligação para a família e não quis saber de mais nada.
Li Xiangqin estava deitada na maca, vestindo apenas a roupa fina de verão com que chegara. O vento gélido a fazia tremer inteira. Com o olhar vazio, fitava o céu sombrio.
— Jianguo… Jianshe… Jianmin… Jiankang… meus filhos… venham me buscar para casa…
Até cair a