Quem ocupa um cargo público deve seguir o grande caminho; o povo é a base; assim se sustenta o mundo. Zhang Xiaojing, vindo de uma família pobre, entrou na carreira oficial e, entre o verdadeiro e o i
Ao amanhecer, às seis em ponto, Zhang Xiaojing foi arrancado do sono pelo despertador. Levantou-se, lavou-se, vestiu-se e então foi até a escrivaninha, onde rasgou ao acaso uma folha do calendário perpétuo.
Vigésimo quinto dia do nono mês do ano Jiawu, começo do inverno; nada propício.
Ele olhou pela janela. O céu estava encoberto, de um cinza-chumbo sombrio. A súbita queda da temperatura deixara uma película de geada na beirada do vidro. Numa estação tão sem vida, até o humor parecia, sem motivo, mais pesado.
Mais de dez minutos depois, Zhang Xiaojing dirigiu um Jetta comprado num mercado de usados até a entrada de um conjunto residencial ligado a uma faculdade de formação de professores, na zona urbana. De dentro do pátio saiu um homem de meia-idade, baixo, corpulento e atarracado, vestido com um casaco de lã. A leve protuberância de sua barriga denunciava sua condição de quadro de nível departamental.
Ele ainda trazia na mão um saco de pãezinhos e um copo de leite de soja. Seus gestos e maneiras transmitiam uma aura severa e eficiente, mas só Zhang Xiaojing sabia que aquilo era o porte impositivo cultivado ao longo de anos sentado num escritório, dando ordens.
— Zhang, levantou tão cedo e ainda nem comeu, não é? Sua cunhada mandou isso para você.
Depois de entrar no banco de trás, Wang Lei, membro do comitê do partido do Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano-Rural de Xiangzhou, inspetor de segundo nível e vice-diretor, desfez com naturalidade um botão do casaco.
— O frio está ficando cada vez pior. Lembre-se de ve