(Não é uma história de harém, nem segue clichês, não há protagonistas invencíveis, sistemas ou tramas previsíveis; tampouco é uma narrativa de ação desenfreada. Se isso incomoda, prossiga com cautela.
Uma velha lâmpada de filamento de tungstênio pendia do centro do teto, sustentada por fios negros, projetando uma luz tênue e vacilante. A atmosfera silenciosa espalhava-se pelo cômodo como tinta preta diluindo-se em água clara, permeando cada canto do ambiente.
No centro do aposento havia uma grande mesa redonda, já marcada pelo tempo e pelo desgaste. Sobre ela, erguia-se um pequeno relógio de mesa adornado por arabescos intricados, marcando o tempo com seu tique-taque constante. Ao redor da mesa estavam sentadas dez pessoas, cada uma trajando roupas diferentes; os tecidos pareciam gastos, e seus rostos estavam manchados de poeira.
Alguns repousavam a cabeça sobre a mesa, outros recostavam-se nas cadeiras, todos imersos em um sono profundo. Por entre eles, de pé, encontrava-se um homem vestido com um terno preto e ostentando uma máscara de cabeça de bode. Seu olhar, perscrutando por detrás do adorno grotesco, observava os presentes com interesse.
O relógio sobre a mesa soou enquanto o ponteiro das horas e o dos minutos se encontravam sobre o número doze. Ao longe, do lado de fora do aposento, ressoou o som grave de um sino. No mesmo instante, os dez homens e mulheres sentados ao redor da mesa começaram a despertar lentamente. Quando a lucidez retornou, olharam ao redor, desorientados, e depois se entreolharam, tomados pela dúvida. Ninguém parecia lembrar como havia ido parar ali.
— Bom dia, nobres nove — disse primeiro o homem da cabeça de bode. — É um prazer encontrá-los aqui. Vocês dormiram diante de mim por doze horas.
A aparência do est